Tuesday, January 10, 2012

Ponta de faca.

Vivo em um mundo de amores e dores e crises.

Essa é a ascensão decrescente, que perde a força na porrada que dá...

Eu me percebo conversando com o céu e isso me faz bem.

Por que as pessoas? As pessoas não tem nada a me dizer.

Elas turvam os olhos, erram o traço, fecham janelas.

A única coisa que me acalenta: o amor ainda está no topo.




Hoje, a Tiê me embala junto com o Chet Baker.

Friday, December 16, 2011

Eu sou

Eu vim aqui contar um segredo.
Tenho até medo de falar dele alto,
Pavor até de pensar nele, é bem verdade!
É, tristeza grande essa mania de se esconder de si...

Resolvi gritar, no mais baixo dos volumes, quase inaudível
Sussurrar um fato notório, incontroverso
Respirar essa exacerbada notícia:





Eu sou poesia.
E eu sou tudo que há em mim.

Thursday, December 15, 2011

Queda, poço, corda.

A ilusão e a desilusão
Aquela, uma eternidade de realidade
Essa, um tropeço que desembaça

Elas são como a paixão e o amor
Não que todo amor desiluda
Mas é em seu poço que a gente cai
na verdade do sentimento
E lá deitamos e ninamos
Porque é quentinho, é macio e é cheiroso

Até que pode uma corda nova
E um mundo outro
No puxa para, quem sabe,
Uma nova queda



Thursday, December 08, 2011

Desabafo social

Vou desabafar: muita gente abre a boca pra dizer que ODEIA DIREITO "ponto". EU ENTENDO que Direito é chato, eu também acho, mas daí a não conseguir discernir que é um conhecimento bem legal pra gente saber compreender e interpretar melhor o mundo dos fatos sociais, é bem diferente.

Sou muito feliz por ter estudado institutos jurídicos e sociais e por me sentir tendo cada vez mais uma clareza e uma sensatez de opinião maiores e legais.

Entender pequenas diferenças, do tipo: não desejo a pena de morte, mas entendo quem defende. Não desejo que ninguém faça aborto, mas quero sim que DESCRIMINALIZE. Cada coisa no seu quadrado.

Vivemos em um mundo de pessoas, não somos ilhas, como o capitalismo e a globalização dizem para a gente. Não somos números de celulares nem pontos de GPS. Então, vamos tentar entender esse universo de regrinhas que organizam nossa forma de nos relacionar? Sem depreciá-la?

Um dos meus maiores sonhos era que pelo menos um mínimo desse conhecimento chegasse às pessoas e que elas debatessem e começassem a construir um mundo melhor, com mais respeito e serenidade mental. Sei, contudo, que há muitas carências na fila e que esse sonho é bem mediato.

Pois bem, vou deixar um texto aqui, que reflete muito bem essa venda preta que tendemos a colocar diante dos nossos olhos quando as questões envolvem algo muito além do nosso círculo de pessoas:

O ANALFABETO POLÍTICO

O pior analfabeto

É o analfabeto político,

Ele não ouve, não fala,

Nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe o custo da vida,

O preço do feijão, do peixe, da farinha,

Do aluguel, do sapato e do remédio

Dependem das decisões políticas.

O analfabeto político

É tão burro que se orgulha

E estufa o peito dizendo

Que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,

da sua ignorância política

Nasce a prostituta, o menor abandonado,

E o pior de todos os bandidos,

Que é o político vigarista,

Pilantra, corrupto e lacaio

Das empresas nacionais e multinacionais.

Bertold Brecht


Não. Eu não sou socialista, comunista, anarquista, nãoseiquelázista... Eu sou a favor do estudo e da evolução da mente das pessoas, cada uma no seu ritmo, como der pra levar, mas jamais estagnando. Eu sou eu, oras.


Friday, November 18, 2011

Sem pranto.

Hoje acordei flores
Porque se murcham, ainda flores
Se presas pelo talo, livres pelo que exalam
Livres por tudo aquilo que encantam

E se satisfazer é seu último suspiro
Por tudo que seduzem,
Por tudo que inspiram,
Morrem sem cenários de pranto.



Wednesday, November 16, 2011

O palhaço.

O filme caminha entre cores de Frida, cenas de Van Gogh, cenários de Brasil. Passeia por personagens caricaturas das nossas micro realidades, das nossas piadas e ironias cotidianas. Senti muita saudade dos tempos de teatro, das maquiagens e bastidores.

No enredo há o grande, gordo e chorão. A traição e o corno manso. O olhar vivo da criança. O esperto e o espertalhão. O político fanfarrão e a primeira dama fanfarrona. As cidadezinhas, todas elas, cujos caminhos cruzam e constroem acasos, vidas e histórias.

O arquétipo do palhaço triste é o Pierrot, que com o seu coração partido e a honra manchada, inocente e distante da realidade, da qual vive fugindo para não se encontrar.

Benjamim é um palhaço triste, longe desse esboço, pois ao invés da fuga, ele pretende se encontrar. Sua falha é sua própria inexpressividade, ele não sabe de si, por isso não acredita nele mesmo. Segura-se num ofício passado por seu pai sem mesmo ter tido chances de saber de outros mundos e possibilidades.

Lembrei do dia que tive que entrar em cena numa peça de comédia e eu estava aos prantos na coxia. Como sorrir? Como vestir a personagem? Acho que Benjamim se perguntava isso diariamente, até que um dia a resposta fugiu e ele saiu à procura dela.

"Quem vai me fazer rir?"

Será só aquilo mesmo tudo isso? Foram inúmeras vezes que essa pergunta martelou minha cabeça. Hoje, inexplicadamente (ou não), todo mundo parece achar que há algo a mais pra se viver, pra sentir, pra matar e pra morrer. A vida é uma só, o acesso a tudo e o querer de tudo é incessante. O mais engraçado, sarcasticamente, acontece então: era só aquilo mesmo tudo isso.

Também pode não ser, né?

O querido Benjamim achou o seu ventilador e o levou para seu lar.

Saturday, August 06, 2011

Cobras e caraminholas

Foto: Bruna Cancio - Museu da História Natural, Junho.2011, Londres/ING