O filme caminha entre cores de Frida, cenas de Van Gogh, cenários de Brasil. Passeia por personagens caricaturas das nossas micro realidades, das nossas piadas e ironias cotidianas. Senti muita saudade dos tempos de teatro, das maquiagens e bastidores.
No enredo há o grande, gordo e chorão. A traição e o corno manso. O olhar vivo da criança. O esperto e o espertalhão. O político fanfarrão e a primeira dama fanfarrona. As cidadezinhas, todas elas, cujos caminhos cruzam e constroem acasos, vidas e histórias.
O arquétipo do palhaço triste é o Pierrot, que com o seu coração partido e a honra manchada, inocente e distante da realidade, da qual vive fugindo para não se encontrar.
Benjamim é um palhaço triste, longe desse esboço, pois ao invés da fuga, ele pretende se encontrar. Sua falha é sua própria inexpressividade, ele não sabe de si, por isso não acredita nele mesmo. Segura-se num ofício passado por seu pai sem mesmo ter tido chances de saber de outros mundos e possibilidades.
Lembrei do dia que tive que entrar em cena numa peça de comédia e eu estava aos prantos na coxia. Como sorrir? Como vestir a personagem? Acho que Benjamim se perguntava isso diariamente, até que um dia a resposta fugiu e ele saiu à procura dela.

"Quem vai me fazer rir?"
Será só aquilo mesmo tudo isso? Foram inúmeras vezes que essa pergunta martelou minha cabeça. Hoje, inexplicadamente (ou não), todo mundo parece achar que há algo a mais pra se viver, pra sentir, pra matar e pra morrer. A vida é uma só, o acesso a tudo e o querer de tudo é incessante. O mais engraçado, sarcasticamente, acontece então: era só aquilo mesmo tudo isso.
Também pode não ser, né?
O querido Benjamim achou o seu ventilador e o levou para seu lar.

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